segunda-feira, dezembro 11, 2006

6

Disseram-me há muitos meses, que quando guardamos coisas ou fazemos outras em relação às pessoas mortas, que elas ficam presas à Terra, involuntariamente. Nunca acreditei neste tipo de coisas.
Mas fiquei a pensar nisso e já não te escrevi mais.
Não quero que fiques preso ao mundo, e que seja eu a responsável por te impedir de voar para esse lugar que tu tanto mereces. Se ele existir claro. Nunca acreditei nessa historia do Céu e do Inferno. Mas tenho a certeza que algures, há um lugar especial para ti. Porque o
Céu, caso exista, passou a ser pequeno de mais para te receber.
Quanto ao poema, não vou quebrar a promessa e vou escreve-lo um dia. Perfeito como te prometi. Mas quando acabar vou relê-lo vezes sem conta (em voz baixa para não ouvires).
Vou decorá-lo, para que no dia em que me venhas buscar - quem me dera que seja breve - e me leves para esse sitio, seja ele qual for, onde tu estás, eu o possa declamar, bem baixinho só para ti avô. Bem baixinho ao teu ouvido como se não estivéssemos sozinhos.
E então vou abraçar-te com tanta força, que sem falar, vais perceber as saudades que tenho e é assim, a abraçar-te, que te vou dizer todas as palavras que ficaram dentro de mim desde aquele sábado que eu tanto odeio.


* Sei que olhas por mim e sei que vês a pessoa que sou. Tal qual a pessoa que tu quiseste. Tal qual a pessoa que tu fizeste. Todos os dias convenço-me de que estás orgulhoso de mim. Mais orgulhoso do que nunca.
Tantas saudades avô.. Estou quase a fazer anos. E sei que o telefone, por terceira vez, não vai tocar. Vou chorar, como todos os dias, mas tu sabes que são só saudades.

*A avó está melhor. Foste tu não foste? Foste tu que estiveste ali com ela. Sim, também sei isso. Obrigada por não a levares ainda.. ela faz-me muita falta. Todos os dias tapo-lhe as pernas com a mantinha e digo-lhe que gosto dela. Estás orgulhoso não estás avô? Quem me dera que estivesses aqui connosco na noite de natal. Vais estar não vais?

Amo-te até que as forças me levem. E depois disso também.
Saudades. Saudades. Saudades. Saudades.
A tua poetisa.

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

ÉS fántástica na maneira como escreves. Sem duvida ele faz falta na tua vida e também já começou a fazer na minha.
Ele vê-te,
Ouve-te,
Fala contigo,
senão para onde ia a imaginação e os sentimentos.
Um feliz natal

4:34 da tarde  
Blogger ricardo said...

...mto bonito!

:*

8:48 da tarde  
Blogger Brazinha said...

Fazes-me um favor???Nunca deixes de escrever para ele!Mantêm viva a sua pessoa dentro de ti e dentro daquilo que escreves!!! Bjs e desejo-te um bom natal e garanto-te que o teu avô vai lá estar para te ver

9:04 da tarde  
Blogger Rita said...

É fantástico ler o que escreves sobre e com o teu avô. Também eu gostava de escrevi assim, ou de sentir um amor tão grande como o teu.

Vim agradecer-te especialmente pelas doces palavras deixadas no meu blog. Muito obrigada.

Beijinho : )

1:50 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

so deixo um beijinho. gostei tanto do k aqui escreves que nao tenho palavras pa dizer seja o k for. é pessoal, demais.


*

12:05 da manhã  
Blogger daniela said...

chorei.

10:29 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Gostei tanto...que vou "plagiar" estes textos e colocar no blog que criei para o meu querido avô...há já 3 anos...qdo ele faleceu vitima de cancro galupante.

Continua assim... eu falo com ele todos os dias...e sei que ele está presente em todos os momentos da minha vida. Quando casei, já ele tinha falecido... "senti" que ele estava presente...como sempre!

Obrigado!

http://avomiguel.blogspot.com

7:23 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home