Sábado, Janeiro 31, 2009

13

as campas deviam ser abraçaveis.
era so isso que eu precisava agora. um abraço teu
quantos abraços futilizamos por dia?

Quarta-feira, Junho 04, 2008

Leva-me....
É preferível morrer de uma vez, a morrer assim aos bocados.

Quinta-feira, Março 27, 2008

12

Já não vim cá resmungar, pela quarta vez, por não me teres ligado quando fiz 20 anos.

Tenho-te sentido tão longe avô.
Não estou a conseguir sem ti. Não posso dar-te a mão para ter força. Não estou a conseguir continuar.

Sabes que conheci pessoas más? Pessoas diferentes daquelas que tu me fizeste acreditar que existiam. Pessoas que magoam e que são mesquinhas e egocêntricas e não sabem o que significa amizade ou dar a mão. Secalhar porque não tiveram um avô que lhes explicasse a importância disso.
Eu sei que sempre sonhaste com o dia em que entraria na faculdade.. sempre disseste que devia estar em letras (não sei porque.. as palavras apenas faziam sentido quando estava contigo). Desculpa se te contrariei. Secalhar, num outro sitio, não estava agora a escrever isto, com a cara encharcada em lágrimas.

Desculpa se te desiludi.

Porque não me ensinaste que o mundo cá fora é assim? porque me fizeste acreditar que as pessoas são todas bonitas e crescidas e que têm sempre uma mão esticada para outra pessoa agarrar?
Acho que me estou a tornar igual a elas.

Afinal de contas, descobri que não podemos dar tudo o que temos cá dentro. As pessoas más simplesmente não o respeitam ou sabem cuidar. São (quase) todos um mundo de aparências - e nunca me foi tão difícil descodificar sorrisos. São perfeitos demais nesse jogo de esconde e revela que não chego a perceber.
Afinal, as pessoas más excedem ou escasseiam as palavras. Palavras que sempre me ensinaste que são bonitas, que tudo na vida são palavras. Estas pessoas, são estranhos que silenciam os gritos e que prendem os gestos. A entrega prima pela escassez.. E nunca me explicaste que estas coisas podiam acontecer.

Agora já não sei quem sou. Acho que também me estou a tornar numa pessoa má.
Pela primeira vez, aqui, faltam-me as palavras. Tu nunca permitiste que isso acontecesse.
As palavras estão a ficar todas cá dentro. As boas e as más. E não sei como lidar com isto.
Já não sei dizer um "sim quero", um "gosto de ti", um "e eu de ti". Raramente sei admitir que tenho saudades ou que quero ficar num momento para sempre. Não sei responder a perguntas difíceis (mesmo que as ache fáceis ou saiba de cor as respostas) e quando isso acontece só sei chorar. E dói que ninguém saiba ler as lágrimas como tu o fazias. Ler as respostas que as palavras já não conseguem exprimir. Quero dizer tanto e fazer mais ainda. E só sei chorar. E ainda me culpam por isso.

Estou a tornar-me no quê avô?
Não quero perder as palavras. São a única coisa que liga a ti. As palavras que me deste e que guardo com a minha vida. Se perco as palavras, perco-te a ti. Se te perco, morro.
Este vaivém de palavras que o coração sabe e a boca cala, está a levar-te. Quero dizer tanto.
Mais do que o teu silêncio, dói o silêncio em que o mundo que não quero viver me está a deixar.
Não permitas que me levem as nossas palavras. Não permitas que ponha etiquetas nos pensamentos e que guarde tudo numa gaveta empoeirada na minha cabeça.
Estou a tornar-me num silêncio que é uma espécie de fuga. Fugir das coisas más, faz-me temer as coisas boas percebes? E minto quando digo que não disse nada, porque não haver nada p'ra dizer.

Levem-me tudo. Mas não as palavras.


.. se isso acontecer, oxalá morta te encontre e me dês a mão como mais ninguém o fez desde que me deixaste.

Estou a sentir-te tão longe avô.




Estavas tão certo quando dizias "a minha poetiza vê coisas onde os outros não vêem".
Achas que sou uma pessoa má avô?
Saudades e medo que te (nos) levem para sempre.

Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

11

Entre as 8:30 e as 9h, a mamã serve o jantar.

Não te atrases como sempre fizeste em todos os natais.



Quando chegares senta-te ao pé de mim. Vou ficar no canto da mesa porque sei que gostas de te sentar no topo.
Quando chegares dá-me a mão. Vamos passar toda a noite de mãos dadas.


Vais olhar para a mamã e vais dizer-lhe a minha fernandinha está toda jeitosa esta noite.
Vais olhar para a avó e vais dizer olha a minha flausina até brilha
Vais olhar para a tia e a prima e vais dizer as minhas flausinas todas produzidas
Vais olhar para a mana e vais dizer a minha doutora (ela nunca ouviu isso)
Vais olhar para o primo e vais dizer que está um homenzinho (por segundos baixas a cabeça para ninguém ver que ficaste com os olhos em lágrimas, porque todos sabemos que nesse momento morres de saudades do tio - talvez agora já tenhas matado essas saudades..)
Vais fazer o brinde com pai e dizer à nossa familia que é a melhor e a ti que sabes ser um bom pai e um bom marido



oiço tanto essas frases que sempre disseste... vou ouvi-las a noite a toda. só eu.


Depois de jantar dizes agora vou querer um café só como a minha princesa sabe fazer e um copinho do meu wisky só como a minha princesa sabe servir.
Eu faço-o e tu dizes vejam só esta qualidade. Eu sorrio e tu dizes aquele sorriso é um espectáculo.



Vais fartar-te de dizer "txé pa!"
Vais fartar-te de olhar para mim, com aquele olhar com que sempre te apanhava e tu disfarçavas. Aquele olhar de orgulho e de quem estava a pensar és exactamente como eu sempre quis.



Vais adorar a surpresa que eu e a mana preparámos para os pais. Já te levei a prenda hoje de manhã. Amanhã de manhã levo-te outra.


Se não queres que mais ninguém te veja, eu não me importo. Simplesmente dá-me a mão e não a largues toda a noite. Espera que eu adormeça e aí ja a podes largar.




Dá-me a mão. é o unico presente que quero este natal.
Nunca te pedi nada tão simples avô
Fica de mãos dadas comigo toda a noite.
Por favor
Fico à espera que a campainha toque, e sejas tu.
Numa mão o cigarro. Na outra eu.
P e r f e i ç ã o
Entras em casa e dizes a minha poetisa. Dás-me a mão e apertas com força.
Que acabe o mundo nesse momento.
Não te atrases.
Eu, que tanto te amo.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

10

Tenho sonhado tanto contigo avô.
Tenho sentido tantas vezes o teu cheiro sempre que conversamos – aquela mistura de barba recem-feita com o inconfundível tabaco.

Depois de passar o pano húmido e amarrotado (para limpar os sinais do tempo que já te levou), de por a tua rosa branca e ajeitar as fores tristes que a avó sempre deixa, sinto-te tanto.
Fecho os olhos e encosto a cara à tua mão, porque sei que estás ali, a acariciar-me o rosto. Só não percebo se com orgulho, com desilusão ou vergonha (ou apenas para amparares os bocadinhos de coração e de alma que me estão sempre a cair, e que não te deixam descansar de uma vez por todas).
Tiras os óculos da mesma forma como sempre o fizeste, para me olhar com a tal ternura e para me fazeres perceber – mais uma vez – que existimos apenas Tu e Eu. O resto não importa. Voltas a ter os olhos mais verdes do mundo na minha direcção e o toque da tua mão torna-se mais forte do que nunca. O cheiro, os olhos, o tacto! É tudo quase tão real. Não é avô?
Sinto-te porque preciso de o fazer. Porque o silencio, o silencio avô, já não me é suficiente.
Tenho-te sentido tanto. Preciso tanto de ti.

Canso-me de te perguntar se estás orgulhoso de mim. Dá-me outra resposta. Vem buscar-me. Leva-me daqui!
Quero estar contigo outra vez avô. E juro-te, quando te encontrar, seremos tu e eu, para sempre. Não largarei a tua mão pela terceira vez. Juro-te!

E já nada do que escrevo aqui parece ter sentido.

Às vezes dou com a avó a olhar para o lado e com os olhos quase fechados. Eu sei que ela está a pensar em ti. E dentro de dias fazem 4 anos que nos (me) mataste. 1460 dias a desejar morrer para estar contigo. Nem nunca me soubeste dar uma explicação. Desapareceste e pronto. Não tinhas esse direito.

Desculpa se também te matei. Tu continuas a matar-me e eu não sou capaz de te desculpar. E mais do que nunca, o silêncio já não basta.

Ultimamente, dou comigo a olhar para o lado.
E com os olhos quase fechados.

Já nada do que escrevo aqui, parece mesmo ter sentido.



* Entrei na faculdade avô.
A avó está sempre a dizer, que se cá estivesses isto seria diferente. E que os pais não teriam estas dificuldades.
Ela não percebe que tu estás aqui. - E é por isso que não temos (tenho) mais dificuldades.
Estás orgulhoso de mim? (eu sei que sou chata sempre com a mesma pergunta. Mas tu também tens sempre a mesma resposta. O silêncio. E o silêncio não é suficiente)






Enlouquecida e Farta de sentir saudades.
Cansada de chorar e de não gritar.
Com medo de afinal não te sentir, e de viver para sempre no nosso silêncio.
Medo. sobretudo medo.
a tua poetisa

Sexta-feira, Junho 22, 2007

9

Parabéns atrasados Avô.
Liguei-te mas atendeu-me uma senhora a dizer que o número não existe. Secalhar mudaste de número e esqueceste-te de me dizer.
Fui lá a casa mas a avó estava sozinha com um sorriso tonto.
Procurei-te no café da esquina mas não estavas.. tentei outros que sabia que tinham o teu wisky preferido, nem sinal de ti.
Sentei-me na berma do passeio à espera que chegasses de carro, mas começou a ficar frio e não tinha casaco. Tive que me ir embora antes que chegasses e me ralhasses por ficar doente.
Voltei a ligar-te, mas a senhora com o mesmo ritmo, disse as mesmas palavras.

Com quem festejaste os anos avô? Quem fez o teu prato favorito? Quem te serviu o teu wisky? Quem comprou os cigarros? Quem acendeu as tuas velas? tinhas velas nao tinhas?

Espero que estejas com alguém que pelo menos te trate como eu te tratei, mas que te mereça em toda a tua grandeza.
Sentada naquele passeio, tive mais saudades que nunca. Nunca esperei por ti com tanta força.
Nem daquela vez em que me perdi. Lembraste avô?

"não largues a mão do avô nunca"

Mas larguei. Fiquei parada a olhar para uma senhora que levava dezenas de balões em forma de sereia. Fiquei ali parada e larguei a tua mão. As pessoas empurravam-me ao andar e afastaram-me de ti.
Sentei-me no degrau de uma porta verde e velha. senti medo, tanto medo. Medo de que te tivesses ido para sempre. E fiquei ali. chorando, chorando, chorando.
E só pensava, porque te teria eu largado a mão contra a tua vontade? Irias voltar a encontrar-me? Ias gostar de mim da mesma maneira quando me reencontrasses?
Começou a ficar frio e vesti o casaco para que não me ralhasses mais ainda.
Aqueles minutos ali sozinha pareceram-me horas. Mas voltaste para trás por minha causa (como sempre fizeste) e os teus olhos estavam mais verdes do que nunca.. e não me ralhaste avô.. apenas voltaste a dizer "não largues a mão do avô nunca".
E voltámos para casa. Tu, eu, os pais, a avó, a mana. E o meu balão em forma de sereia.

No dia do teu aniversário, sentei-me na berma da estrada à espera que aparecesses (como sempre fizeste) com os olhos mais verdes do que nunca. Mas ficou frio cedo de mais e não voltaste a tempo.
Porque é que te larguei contra a tua vontade? Vais voltar a encontrar-me? Vais gostar da mesma maneira de mim quando me reencontrares?
Faz tanto frio todos os dias avô.. e todas as horas sem ti parecem anos. Séculos sem fim.
Voltei para casa. Sozinha.

"não largues a mão do avô nunca"

Pediste-me duas vezes. Duas vezes te falhei. Desculpa
.


Voltei a ter medo avô. Medo de que te tenhas ido para sempre.
Já nem sei dizer quanto te amo.. Acho que te amo quanto medo e quantas saudades tenho
Nunca mereci aquele balão.
A tua (sempre) poetisa

Sábado, Abril 07, 2007

8

- Avó: A tua tia foi hoje de manhã ao cemitério e diz que na campa do teu pai estavam outra vez rosas brancas.
- Mãe: Outra vez? (Silêncio) tirou-as?
- Avó: Não. Acho que até estavam bonitas.
- Mãe: Não sei mesmo quem poderá ser.
(silêncio)
- Mãe: Seja quem for, isso são sentimentos de culpa de certeza. Alguém que se arrependeu do que fez tarde de mais. Deus o perdoe.







* Quando se diz que as mães têm sempre razão, não é por acaso. ( [meu] Silêncio outra vez)

Deus me perdoe